segunda-feira, 6 de março de 2017

Coadjuvante da própria vida

Coadjuvante, segundo o dicionário (https://www.dicio.com.br/coadjuvante/), significa personagem secundária, que coadjuva, auxilia ou coopera com outrem; característica do que é secundário ou suplementar.

 Bem, basta assistir um filme, uma peça, uma novela para facilmente verificarmos os atores que exercem esse papel, orbitando ao redor do protagonista, ajudando-o a brilhar. Após a performance, até mesmo esses profissionais voltam a sua vida e espero, se tornam protagonistas destas. Também é assim com as pessoas normais. Você trabalha num escritório, numa loja, muitas vezes exerce um papel secundário, coadjuvante. Terminado o trabalho, assume a sua vida, seu protagonismo no mundo, ainda que na sua casa, em família.

Eu, por minha vez, tenho me sentido coadjuvante da minha própria vida, não só no trabalho, mas na vida familiar, social, amorosa. É como se vivesse sempre me escondendo, esperando a hora de ter minha chance no palco da própria vida. Enquanto o tempo passa, faço o papel de "escada", "apoio" de colegas, amigos, familiares.

 Dia desses, almoçando com uma amiga, percebi mais nitidamente que todas as outras vezes esse papel secundário que represento. Enquanto estivemos reunidas, eu praticamente a entrevistava, ou seja, minha função era perguntar, fazer algum comentário dentro do tema que ela monopolizava, questionar novamente, dar alguma opinião tímida (sem muita veemência), sempre cuidando para evitar lhe tirar o "brilho" ou criar conflito. Por exemplo, no carro, enquanto íamos para o shopping, perguntei como havia sido seu fim de semana. Ela respondeu que meio sem graça, disse que havia dormido muito, que saiu no sábado apenas para jantar e desde então continuava meio preguiçosa (era quarta-feira). E silêncio. Nada me perguntou. Só comentei delicadamente que isso talvez fosse bom, "às vezes é bom desacelerar".

 Quando pensei em falar sobre o meu fim de semana, ela direcionou para outro assunto, de cunho mais profissional. Não pediu minha opinião, tampouco pareceu ter ouvido meus comentários a respeito.

Sei bem que a culpa é minha. Por alguma razão, achei que "atuando" assim seria aceita, desejada, necessária. Mas vale pagar esse preço?

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