Hoje passei a tarde no Shopping Iguatemi. Quando estava chegando lá, me esforcei para lembrar do que precisava comprar, para não me distrair: uma camisa branca e uma calça jeans.
Ao entrar, já estava angustiada, porque estamos no final do inverno e os lançamentos primavera - verão estão chegando, daí lembrei de tudo "o mais" que "preciso":biquínis, short, camisetas, sandálias, tudo "novo de novo". Haja dinheiro, haja tempo, haja lugar para guardar no armário.
Mas como não ter, como não estar usando o que todos estão usando? Agora está "on top" o vestido poá (de novo!), a blusa ou regata amarelo ouro, a camiseta "podrinha" (e que não sai por menos de 100 reais) com saia plissada dourada ou prata.
Sim, eu preciso ter. Quanto mais adquiro, mais pareço precisar, é algo sem fim.
Resultado do passeio: saí de lá com duas blusas lindas, coloridas e caras demais. E sem a camisa branca e o jeans, ou seja, continuo "necessitando" dessas peças que fui tentar comprar. E depois que adquiri-las (ou mesmo antes disso), vou "precisar" de outras peças, vai depender do que surgir, pode ser um blaser vermelho, uma calça branca, uma sandália dourada e por aí vai.
Não há fim. Compro um vestido lindo e penduro no guarda-roupa. Na semana seguinte, antes mesmo de usá-lo, dou de cara com outro ainda mais fantástico, longo, com detalhes em croché. Não resisto, compro. Já tenho, portanto, dois pendurados lado a lado e acompanhados de outros tantos que já estão há mais tempo no acervo. Mas aí percebo que preciso de uma bolsa e uma sandália para combinar com as novas aquisições, pois sem tais acessórios, "não tem" como usá-los. Aí vou à procura.
De repente, ao acessar o instagram, dou de cara com um uma celebridade que sigo, se exibindo com o maiô mais lindo do mundo. E penso: verão chegando, também quero uma peça dessas. Mais uma comprinha. Na busca, me deparo com a saia de couro que sempre desejei. Adiante, uma jaqueta bomber estampada divina. E segue a roda viva do consumismo.
Quem dera fosse apenas nas roupas, sapatos e acessórios. Até a gastronomia virou um objeto de desejo insano e doentio.